Resposta rápida
A Itália não cobra taxa para entrar no país: quem cobra é cada cidade, por pessoa e por noite de hospedagem. Em novembro de 2026, um hotel 4 estrelas custa € 7,50 por pessoa por noite em Roma, € 7 em Florença, € 10 em Milão e € 4,50 no centro histórico de Veneza, com limite de noites taxadas e isenção para crianças que muda de cidade para cidade. Em geral a taxa é paga na hospedagem, e no Airbnb ela pode já vir cobrada na reserva, ou não.
Equipe BellaRota · Atualizado em
Você reservou tudo, pagou tudo, chegou no hotel em Roma feliz da vida. Aí, no balcão, aparece uma conta que não estava no total da reserva: a taxa de turismo. Não é golpe, não é erro e não é só com você. É a cobrança mais previsível da viagem, desde que alguém te avise antes. Considere-se avisado.
A Itália cobra taxa de turismo para entrar no país?
Não. Não existe taxa nacional para entrar na Itália. O que existe é uma taxa de hospedagem decidida por cada prefeitura (Comune), cobrada por pessoa e por noite de quem não mora na cidade. Por isso o nome muda: em Roma é contributo di soggiorno; em Florença, Milão e Veneza, imposta di soggiorno. Em inglês, nas reservas, costuma aparecer como city tax ou tourist tax.
Cada cidade decide se cobra, quanto cobra, por quantas noites e quem fica isento. Então não existe “a taxa da Itália”: existe a de Roma, a de Florença, a de Milão. Um roteiro com três cidades tem três regras diferentes.
E aquela história de “taxa para entrar na Europa”? É o ETIAS, a futura autorização de viagem da União Europeia para quem não precisa de visto, como o brasileiro. Ela vai custar € 20, mas ainda não está em funcionamento: a própria UE diz que vai anunciar a data de início com meses de antecedência. Se alguém está te cobrando ETIAS hoje, desconfie.
Quanto custa a taxa de turismo em Roma, Florença, Milão e Veneza?
Valores por pessoa, por noite, em vigor em novembro de 2026, tirados das tabelas oficiais de cada prefeitura:
| Tipo de hospedagem | Roma | Florença | Milão | Veneza (centro histórico) |
|---|---|---|---|---|
| Hotel 3 estrelas | € 6,00 | € 6,00 | € 7,00 | € 3,50 |
| Hotel 4 estrelas | € 7,50 | € 7,00 | € 10,00 | € 4,50 |
| Hotel 5 estrelas | € 10,00 | € 8,00 | € 12,00 | € 5,00 |
| Bed and breakfast | € 6,00 | € 6,00 | € 9,50 | € 2,00 a € 5,00 |
| Apartamento de aluguel curto (locazione breve) | € 6,00 | € 6,00 | € 9,50 | € 3,00 a € 5,00 |
| Máximo de noites taxadas | 10 seguidas na mesma estrutura | 7 seguidas | a página oficial não traz um teto geral: confira com a hospedagem | 5 seguidas |
| Crianças isentas | até completar 10 anos | até completar 12 anos | menores de 18 | até completar 10 anos (10 a 16 pagam metade) |
Os detalhes que mudam a conta:
- Roma divide affittacamere (guest house) em três categorias, de € 5 a € 7, e casas e apartamentos de férias em duas, de € 5 a € 6. As tarifas são as mesmas desde 1º de outubro de 2023.
- Florença mantém as tarifas de 1º de fevereiro de 2025. O regulamento novo, em vigor desde 1º de novembro de 2026, não mexeu nos valores nem no limite de 7 noites.
- Milão subiu as tarifas em 1º de abril de 2026, e a prefeitura fixou esses valores “para o ano de 2026”. Para 2027, confira antes.
- Veneza é a mais complicada: o valor depende da categoria, da zona e da época. Lido e ilhas da laguna pagam 20% menos (10% menos no hotel 5 estrelas), o continente (Mestre) paga 30% menos e, em janeiro (baixa temporada), as tarifas caem 30%. Em B&B e apartamento, o valor depende da classificação do imóvel, e no apartamento de aluguel turístico o desconto por zona não vale: o valor é o mesmo em todo o município. Quem troca de hospedagem dentro dos 5 dias e mostra o recibo da anterior não paga de novo pelas noites já cobradas.
Como fazer a conta: exemplos para casal e família
A fórmula é simples: tarifa × pessoas que pagam × noites (até o limite da cidade).
- Casal, 4 noites em hotel 4 estrelas em Roma: € 7,50 × 2 × 4 = € 60.
- O mesmo casal, 4 noites em hotel 4 estrelas em Milão: € 10 × 2 × 4 = € 80.
- Casal com filhos de 8 e 13 anos, 4 noites em apartamento em Roma: a de 8 anos não paga, o de 13 paga. São 3 pagantes: € 6 × 3 × 4 = € 72.
- A mesma família em Milão, B&B, 4 noites: só os adultos pagam: € 9,50 × 2 × 4 = € 76.
Repare que a mesma família paga em Milão quase o mesmo que em Roma, com uma pessoa a menos na conta. A regra da idade pesa tanto quanto a tarifa.
Como se paga a taxa de turismo (e por que ela surpreende no check-out)?
A taxa é do hóspede, mas quem cobra é a hospedagem: hotel, B&B ou anfitrião recolhem o valor e repassam para a prefeitura. Em Milão, a página oficial é direta: a taxa “se paga ao gestor da estrutura”. Em Florença e Veneza, a estrutura é obrigada a dar recibo. Guarde esse recibo.
E por que ela não estava no total da reserva? Porque a taxa é cobrada à parte, pela hospedagem, e muitas vezes não entra no valor pago online. Florença, por exemplo, obriga a estrutura a informar a taxa em todos os canais em que se anuncia, inclusive sites e plataformas. Ou seja, a informação costuma estar lá, mas nas letras pequenas das condições.
Faça assim:
- Antes de reservar, procure “city tax” ou “tourist tax” nas condições da hospedagem.
- Se não achar, pergunte por escrito: “a taxa de turismo está incluída no preço? Como vocês aceitam o pagamento?”
- No check-in ou no check-out, pague e peça o recibo.
Taxa de turismo no Airbnb: quem cobra, a plataforma ou o anfitrião?
Aqui mora a dúvida de quem lê no Reddit “meu anfitrião em Roma disse que eu tenho que pagar”. Pelo que dizem as páginas oficiais do Airbnb e das prefeituras:
- Roma: por acordo com a prefeitura, o Airbnb cobra a taxa na hora da reserva e repassa para o município. Se você tem direito a isenção, pede o reembolso ao Airbnb depois da estadia.
- Milão: mesmo esquema, por acordo com a prefeitura: o Airbnb cobra na reserva. Quem é isento pede a devolução diretamente ao Airbnb.
- Florença: o Airbnb cobra a taxa de cada hóspede desde 2018.
- Veneza: o Airbnb cobra e repassa a taxa nas reservas de aluguel de curta duração.
Mas atenção ao detalhe que explica o “anfitrião cobrando”: pela regra do Airbnb para a Itália, a plataforma é obrigada a recolher a taxa quando o anúncio é de aluguel de curta duração (locazione breve). Se o anúncio é de outro tipo de hospedagem, como um B&B ou uma guest house registrados como atividade, quem cobra é o anfitrião. E há um segundo caso: em Florença, quando a tarifa subiu em 2025, quem tinha reservado antes pagou ao Airbnb o valor antigo, e a prefeitura mandou o anfitrião cobrar a diferença do hóspede.
O teste é um só: abra o detalhamento do preço da reserva. A taxa já aparece ali? Não pague de novo e mostre ao anfitrião. Não aparece? O pedido é legítimo: pague e peça recibo.
Roma vai aumentar a taxa de turismo em 2027?
O prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, disse em entrevista à Bloomberg (publicada pela Bloomberg Línea Brasil em 31 de outubro de 2026) que pretende aumentar as taxas cobradas de hotéis e outras hospedagens e apertar as regras para os aluguéis de curta duração. Disse também que não vai criar um bilhete de entrada como o de Veneza: “Não faria sentido introduzir aqui um bilhete de entrada na cidade”.
Mas é preciso ser claro: por enquanto, é uma intenção, não uma decisão aprovada. Não existe deliberação com valores novos nem data. Até sair a decisão oficial, valem as tarifas da tabela acima. Se a sua viagem é em 2027, confira o valor de Roma perto da data, no site da prefeitura (comune.roma.it, “contributo di soggiorno”).
Veneza: taxa de hospedagem e contributo de acesso, qual é a diferença?
Veneza tem as duas coisas, e elas não se somam para todo mundo:
- Taxa de hospedagem: para quem dorme no município, como em qualquer outra cidade (tabela acima).
- Contributo de acesso: para quem entra no centro histórico sem dormir na cidade, em dias específicos. Quem se hospeda no município fica isento, mas precisa se registrar no portal oficial e levar o QR Code. Crianças e adolescentes até 14 anos não pagam.
Em 2026, o contributo custou € 5 para quem pagou até o quarto dia antes da visita e € 10 para quem deixou para os últimos quatro dias, das 8h30 às 16h. A temporada de 2026 já acabou, em 26 de julho.
Em 2027, o contributo volta em 72 dias, de 26 de março a 15 de agosto, das 8h30 às 16h30: quase todos os fins de semana com sexta-feira, mais blocos inteiros no fim de abril e no começo de junho. O valor de 2027 ainda não foi publicado: a prefeitura promete as regras até 31 de dezembro de 2026. Confira o calendário de 2027 em cda.ve.it antes de marcar o bate-volta. A multa para quem não paga vai de € 25 a € 150, mais € 10 do contributo.
Veredito: vai a Veneza só por um dia, num dia de cobrança? Pague assim que as regras de 2027 saírem: em 2026, quem pagou com antecedência gastou metade. Vai dormir lá? Você já paga a taxa de hospedagem; só faça o registro.
Quanto a taxa de turismo pesa num roteiro de 10 dias?
Um roteiro clássico, casal, hotéis 4 estrelas: 4 noites em Roma, 3 em Florença, 3 em Veneza (centro histórico, alta temporada).
- Roma: € 7,50 × 2 × 4 = € 60
- Florença: € 7 × 2 × 3 = € 42
- Veneza: € 4,50 × 2 × 3 = € 27
- Total: € 129, pagos na hospedagem, fora do valor da reserva.
Com apartamentos de aluguel curto (Roma e Florença a € 6, Veneza a € 4, a faixa cadastral intermediária), a conta cai para € 108. Trocar as 3 noites de Veneza por 3 em Milão, em hotel 4 estrelas, custa € 60 nesse trecho em vez de € 27.
Não é o fim do mundo. Mas é exatamente o tipo de custo que, somado a outros (ZTL, estacionamento, pedágio; temos um guia só sobre os perrengues de carro e multa na Itália), faz o orçamento estourar sem ninguém entender onde. Coloque a taxa no orçamento desde o primeiro dia, por cidade, e pergunte a cada hospedagem se ela está incluída.
Na rota da BellaRota
Um de nós é italiano e mora aqui, e letra pequena de prefeitura italiana é com a gente. No roteiro BellaRota, você recebe o dia a dia, uma seleção de hospedagens possíveis em cada cidade e as dicas de quem vive aqui, como a taxa de cada prefeitura e os dias de cobrança de Veneza. A gente não é agência: não vende hotel nem reserva, e as reservas ficam no seu nome e no seu cartão. Um roteiro só pela Itália sai a partir de € 10 por dia de roteiro. Quer ver como fica o seu? Monte sua rota.
Perguntas frequentes
É obrigatório pagar taxa de turismo em Roma?
Qual é a taxa para entrar na Itália?
Meu anfitrião do Airbnb disse que eu tenho que pagar a taxa de turismo. É golpe?
Criança paga taxa de turismo na Itália?
Quem dorme em Veneza paga o contributo de acesso?
Fontes
- Roma Capitale — Contributo di soggiorno (descrição do serviço)
- Roma Capitale — Tabela de tarifas do contributo di soggiorno em vigor desde 01/10/2023 (Deliberação da Giunta Capitolina 255/2023)
- Roma Capitale — Regulamento do contributo di soggiorno (Deliberação da Assemblea Capitolina 34/2024): isenções e responsáveis pela cobrança
- Turismo Roma — Accommodation tax in the city of Roma Capitale
- Comune di Firenze — Imposta di soggiorno: Informati (limite de 7 noites, isenções, Airbnb)
- Comune di Firenze — Deliberação da Giunta 535/2024: tarifas em vigor desde 01/02/2025
- Comune di Firenze — Regulamento da imposta di soggiorno em vigor desde 01/11/2026
- Comune di Milano — Imposta di soggiorno: informazioni (tarifas desde 01/04/2026, isenções, pagamento)
- Comune di Milano — Imposta di soggiorno (acordo com o Airbnb)
- Comune di Venezia — Tariffe IDS (limite de 5 noites)
- Comune di Venezia — Tabela de tarifas da imposta di soggiorno válida desde 01/04/2025 (estruturas classificadas)
- Comune di Venezia — Tourist Tax information for guests
- Comune di Venezia — Contributo di Accesso (quem paga, isenções, multas)
- Comune di Venezia — Portal oficial do Contributo di Accesso (calendário 2027)
- Comune di Venezia (Live) — Contributo di accesso 2026: € 5 ou € 10, das 8h30 às 16h (02/03/2026)
- Airbnb — Tourist tax collection and remittance by Airbnb in Italy
- Airbnb — Rome, Italy (acordo de cobrança com a prefeitura)
- Airbnb — Florence (cobrança pelo Airbnb desde 2018)
- Airbnb — Venezia, Italia (cobrança em locações curtas)
- Bloomberg Línea Brasil — Roma aposta em taxas de hospedagem e limites a aluguéis para conter avanço do turismo (31/10/2026)
- União Europeia — Site oficial do ETIAS (ainda não em funcionamento)